domingo, 28 de novembro de 2010

DELIVERY SPORT CLUB

ENTREGA!
ENTREGA!

A cantilena da final do campeonato brasileiro mostra que definitivamente a força do clube pra quem se torce é infinitamente maior do que a naturalidade deste torcedor. O que para leigos e desavisados poderia ser uma corrida para saber qual estado tem mais títulos nacionais, é na verdade uma união ao contrário. É a força da competitividade na construção da própria identidade.

Já podemos ver isso bem perto de nós. O torcedor tricolor, fanático, não quer nem saber da campanha POR UM BA X VI NA PRIMEIRA DIVISÃO. Ele quer mais é ver o elevador fazer o serviço completo e ver o Vitória amargar na segunda divisão.


Assim, torcedores cariocas e paulistas têm gritado sem a menor vergonha que seu time entregue para não ajudar o rival. São Paulo 'entregou' na semana passada para o Fluminense o que provavelmente fará também o Palmeiras hoje e também o Vasco contra o Corinthians para que as chances do Fluminense não aumentem.

Torcedores palmeirenses cantam que perder para o Fluminense não é mais do que obrigação.

Do ponto de vista do torcedor, eu entendo essa comoção, até porque participo dela. Mas, do ponto de vista da gestão do futebol, acho lamentável que um campeonato tão grande e importante acabe assim, nesse ENTREGA, ENTREGA sem fim, onde o valor da partida, momento maior da dramaturgia do futebol fica relegado ao mais baixo plano. A idéia dos pontos corridos parece poder evitar compra de árbitros, mas o que se tem visto é que essa certeza já não é tão grande. O risco de se comprar o juiz dos jogos finais só fez se expandir para outros jogos importantes. Como comentou Alam, apenas ampliou-se o mercado.

Esse erra-erra de juiz que tem uma cara danada de falcatrua não foi evitado, e ainda por cima, além de tirar a grande emoção de uma final de campeonato, relega as últimas rodadas a questões não mais esportivas ou estéticas, mas a questões éticas (lembrando que o futebol parece ter sua própria dimensão ética). O torcedor passa a torcer - e pedir - pela derrota do seu time - veja se isso não é uma distorção!

Acho que este modelo de campeonato deve ser repensado, até porque as coisas mudam muito rapidamente e se em algum momento este foi o melhor modelo, tenho certeza de que não é mais e de que isso que se esboça agora - em oposição a outros campeonatos onde o campeão era conhecido com várias rodadas de antecedência - só tende a aumentar nos anos seguintes.

O melhor modelo? Eu não sei, e acredito que ninguém sozinho o saiba. É preciso discutir, pensar e estudar um bom modelo que devolva a graça e a ética esportiva à final do maior campeonato do país do futebol.

É bolada, entregador!!!